Terça-feira, 23 de Março de 2010

...

8ª edição - ano II - Março / 2010

 

Olá, amigos! Bem-vindos!
 
Uma imagem não vale mais do que mil palavras. Ela vale o que vale, em sua forma, cor, textura e luminosidade... e em sua materialidade se impõe como um ser que reclama cidadania e identidade próprias... A palavra é etérea em sua origem oral e, mesmo quando presa ao signo gráfico da escrita, ela nos escapa ao toque, pois já não representa nada fora dela, e desaparece no ar, deixando apenas o devir de seu significado.
  
Nesta edição, a imagem e a palavra ocupam cada um o seu lugar na dialética criativa para, sendo elas mesmas, produzirem um terceiro e fundamental elemento estético: o prazer
  
Grande abraço a todos e boa leitura! 

 

_______________________________________________________________________________________

 

 

De volta para minha terra

 

 

 

(Música de abertura de programa popular. Entra o apresentador. Meninas semivestidas dançando.)

 

Então, meus caros telespectadores, estamos aqui com mais um “De volta para minha terra”.

 

(Aplausos, gritos, euforia.)

 

E o felizardo de hoje já está aqui. Tudo bem?

 

- Tudo.

 

(Aplausos e gritos)

 

Você está nervoso? Já pensou no que vai fazer... eu quis dizer, se ganhar?

 

- Um pouco. Sim... Eu vou ganhar. (Aplausos e gritos)

 

Você sabe que esta vitória vai encurtar seu trajeto.

 

- Com certeza...

 

Podemos saber o que você vai fazer com o prêmio?

 

- Eu vou sumir. (Aplausos e gritos)

 

Férias!!!! Urruuu!!!E já sabe pra onde quer ir?

 

- Sei.

 

Pois bem, você já sabe como funciona, mas eu vou repetir para os nossos telespectadores e nossas colegas de auditório. Após você entrar, os globos serão girados e se os três pararem no mesmo continente, você poderá escolher um país, uma cidade, um lugar para ficar pelo resto da vida, com tudo paaaaagoo pelos nossos patrocinadores!!!

 

(Aplausos e gritos. Música de auditório!!! Clima de festa forçada! Alegria falsa. Sorrisos de plásticos. Clima de ignorância absoluta.)

 

Está pronto?

 

- Estou.

 

(Som de tchã-tchã- tchãtchã, tambores, plateia histérica. Ele se encaminha para o guarda-roupa. O apresentador pede silêncio. Uma linda menina semivestida abre a porta. Tambores. Ele olha pra fora. Faz um tchau. Tããããããããããã... A menina fecha a porta. A menina gira o primeiro globo. Tãããããããããããããããããããã. A menina gira o segundo globo. Tãããããããããããããããããããã. A menin...)

 

Pow-pow!!

 

O que foi isso?? Apaguem as luzes!

 

(Silêncio)

   

[  Máximo Heleno  ]

 

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Sem título

 

 

 

O ar? Respondo: é rarefeito. Há um peso no peito, um cansaço. Por aqui as coisas se arrastam. Em uma lentidão escura e fria. Digna desse silêncio obrigatório nos lábios. Quase sinto meu coração parado arrefecendo o que resta de força. Lembro de cada momento, sem tristeza, sem alegria, sem emoção alguma. Fotogramas: nomes, rostos, lugares. Lembro do último olhar, do último flash. Lembro da lâmina e do sabor de sangue à boca, denso, instigante. Lembro do pequeno cômodo transformando-se no ponto final, na vida final. 
 
Mas também me lembro do prazer que tive ao chegar em casa e recobrar entre o banho e a TV, a consciência de tê-la, enfim, matado."
 
[  Luiz França  ]
 

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O tempo, a matéria e a física

 

 
 

Vou ler novamente:

 

“Você foi escolhido para definir a nova Era da história da Humanidade. Tudo o que acontecer a partir da conclusão da sua tarefa será conseqüência direta dela. Decifre o enigma para que o tempo, que está parado, esperando, volte a passar. Atenção: em hipótese alguma use a chave.”

 

Não são instruções muito precisas. Além de serem estranhas, pois há uma chave anexa que não deve ser usada.

 

Estou em um cômodo estreito, no que parece ser um apartamento velho e barato.  O assoalho nunca foi encerado. As paredes há muito descascaram uma fina mão de tinta. Olho para um armário simples, bastante gasto, de dois metros de largura por um e setenta de altura, um pouco torto para meu lado esquerdo. Suas portas estão presas por um grande cadeado no qual, imagino, deve servir a chave que mencionei. Sobre o armário, três globos terrestres. O do meio está totalmente em branco. Há uma poça de algo indefinido vindo por debaixo do móvel; parece uma fina crosta de açúcar queimado. A luz projeta na parede a sombra do armário e sua decoração. Não sei de onde ela vem, pois, estranhamente, não consigo me virar. É como se, às minhas costas, nada exista.

 

Minutos atrás eu atravessava a rua em direção à farmácia para comprar uma caixa de cotonetes. É domingo de manhã e a rua estava completamente vazia. De repente, num piscar de olhos, tudo à minha volta desapareceu, e vim parar aqui. Pelo que entendo, estou vivo, lúcido, e um pouco confuso. Apesar das instruções que tenho em mãos chamarem o sortudo que as lêem de “escolhido”, sei que estou aqui por obra do acaso, que acredito ser o regente da vida.

 

Claro que posso justificá-lo e aceitá-lo na medida em que argumento comigo mesmo e explico o inexplicável. Mas, afinal, que importa? Quanto tempo não se perde tentando achar sentido nas coisas que acontecem? E, pensando bem, menos mal que seja eu. Imagine... Uma tarefa tão importante, com um enigma para ser resolvido, cair nas mãos de um cara qualquer.

 

Por onde começar? Talvez consiga eliminar alguns elementos. Vejamos...

 

Se não devo usar a chave, não poderei abrir o cadeado e não saberei o que há dentro do armário. Assim, o armário e a substância estranha sob ele não são elementos importantes. Sobram os três globos terrestres. Interessante. O número três é um dado relevante. Três... Três... Três... O que existe no mundo que tenha, ou contenha, o número três? Vejamos...

 

Sólido, líquido e gasoso: três são os estados da matéria.

 

Inércia, movimento, ação e reação: três são as Leis de Newton.

 

Passado, presente e futuro: três são as partes do tempo.

 

Três coisas que sustentam o mundo: o tempo, a matéria e a física.

 

Três globos terrestres, um em branco, dois pintados. O quê eles podem me dizer? Vou examiná-los de perto. Vejamos...

 

Um em branco.

 

Dois pintados.

 

Três globos terrestres...

 

Um em branco.

 

Dois pintados.

 

Três globos terrestres...

 

Vejamos... Isso! Só pode ser isso!

 

O primeiro globo terrestre, o do meu lado esquerdo, mostra a África em primeiro plano. Nele não existem linhas delimitando as fronteiras. Há apenas os continentes e os oceanos. Três cores predominam: o azul, o verde e o marrom cor de areia. Ele retrata nossa longínqua aurora, o tempo em que os hominídeos migravam pelas savanas e desertos rumando para o norte, se multiplicando pelo caminho.

 

O segundo, do meu lado direito, mostra a Terra totalmente demarcada, cheia de pontos e linhas, riscada em toda a sua extensão por rotas aéreas e navais. O azul está escurecido, o verde quase inexiste, e as áreas marrom cor de areia parecem maiores. É o mundo no qual eu vivia; mundo que se tornou pequeno para tanta falta de bom senso. Retrata um planeta quase exaurido, sugado pelo animal insaciável que o conquistou.

 

Sobra o do meio, que está em branco. O que ele significa?

 

Se o primeiro globo é o passado e o segundo é o presente, o terceiro é o futuro, que será pintado conforme eu o definir, com ou sem fronteiras, com mais ou menos verde, azul ou marrom cor de areia. Elementar, meu caro Watson.

 

Mas... Será que era para ser fácil? Não pode ser tão simples assim. Posso estar deixando passar alguma coisa... Espere! É o último globo terrestre em branco! Será nossa última chance?

 

Duas outras pessoas, homo-sapiens ou não, estiveram neste lugar antes de mim. Cada uma definiu um futuro para seu globo, iniciando assim uma Era que durou séculos e terminou. Graças ao que escolheram, a Humanidade chegou até aqui. E agora a responsabilidade de continuar a história está em minhas mãos. O que devo escolher? Não basta escolher paz, pois os homens não são todos de boa vontade. Tampouco a fartura, pois alguns não se contentam só com o que precisam. Não seria verdadeira a alegria, pois ela só existe onde existir a tristeza. Nenhum Deus conquistaria a todos, pois cada um venera o seu próprio, seja coisa, carne ou espírito.

 

Não! Não é necessário tentar descobrir o que seria melhor! Está muito claro! O que quero é tão... simples:

 

Quero a extinção dos preconceitos, a vitória da preservação, a crença na justiça, a busca incessante da cultura.

 

Quero que cavemos um buraco bem fundo para jogar dentro dele todas as coisas feitas para matar.

 

Quero que apaguemos as linhas que definem as fronteiras, que descubramos o que é viver em harmonia, aceitando-nos como somos.

 

Quero que misturemos nossas mentes, corpos e genes, gerando pessoas melhores do que nós.

 

Quero que tudo aconteça naturalmente, com dois passos para frente e um para trás, conforme a lógica e a vontade do supremo caos que a tudo governa.

 

E não adianta querer que dure para sempre. As Eras, inevitavelmente, terminam.

 

Que interessante: o globo terrestre em branco começou a girar. Parece que conclui minha tarefa. Sinto-me aliviado. Mas, o que farei agora? Não há nada às minhas costas, não tenho por onde sair. Na minha frente, o armário. O que será que há dentro dele? Vejamos...

 

A chave encaixa perfeitamente no cadeado; giro-a para direita. Pronto!

 

Agora abro as portas e...

 

Oh!

 

[  Toninho Moura  ]

 

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 Armário

  

 

Quando chorei pela primeira vez, disseram que chorar era coisa para fracos. Quando ameacei sorrir, disseram para não demonstrar tão efusivamente minhas alegrias. Quando iniciei um desabafo, pediram para que me calasse e guardasse pra mim minhas angustias. Quando busquei respostas, não obtive nenhuma. E fui me calando e fui sufocando as emoções. Me fechei. Tornei-me Templo de mim.

 

Armei todas as defesas, fechei as trancas e joguei as chaves fora.

 

Dia-a-dia minha alma veio congelando e minha humanidade escoando gota a gota.

 

A paisagem que meus olhos buscam através da janela, possui cores e tons que, aqui dentro, tornam-se pálidos e frios. No banco ao lado, o amarelo ovo da blusa do passageiro ofusca minha visão e ao me invadir torna-se pálido.

 

Esta armadura de aparência cálida e fria, tem armazenado todas as emoções, cores, dúvidas e descobertas de minha vida, mas ainda assim me mantém distante de todo o ambiente que me cerca. Minhas defesas têm heroicamente suportado o peso de tudo que acumulo no meu interior, o volume de minhas próprias lágrimas até o instante em que me afogarei e não conseguirei mais emergir à superfície para poder respirar.

 

E agora, deitada sobre um colchão de molas gastas, olho para fora de mim e vejo  o único lugar onde posso esconder as derradeiras provas de minha real existência e percebo que mesmo este, já não suporta mais as angústias que ali guardo e como toda barreira que não suporta mais o volume que a pressiona, minhas defesas e armas serão ultrajadas e as comportas cederão e eu finalmente não poderei mais segurar e então, aliviada, chorarei.

 

[  Verônica Fortunato  ]

 

_______________________________________________________________________

 

 

 

 

Bem ali

  

 

 

- bem ali
estava ali na porta
no meio do sim e do não
do lá e cá
do vai ou vem
do fica ou volta
do mais ou menos
do quebra ou cola
ali.
bem no meio
na soleira
inerte
convicto
e eu do outro lado
do abismo que via se abrir
bem ali
na porta da sala

 

[  Denise Andrade  ]

 

 

 

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Metamorfose

 

 

 

Quando Rick Martin despertou na sua cama

 

[ RESOLVEU VERIFICAR EM SEU ESPELHINHO CERTA RUGA QUE LHE INCOMODAVA, AVENTOU A POSSIBILIDADE DE UMA CIRURGIA PLÁSTICA PARA REJUVENESCIMENTO, MAS OLHOU PARA O LADO, VIU ALEJANDRO. MORENO, MUSCULOSO, DANÇARINO ANGARIADO EM SUA PASSAGEM PELAS ÁGUAS CARIBENHAS. DORMIA COMO UM BEBÊ. NADA PARECIA PERTURBÁ-LO. ALEJANDRO SOFRIA DE ESTRABISMO, ISTO AFETAVA A BELEZA DO DANÇARINO, PORQUE CONSTRANGIA RICK, POR NÃO SABER NUNCA EM QUE SEUS OLHOS ESTARIAM FIXADOS. COLOCOU SEUS CHINELÕES DE PELE DE ALGUM ANIMAL EM EXTINÇÃO. SENTIU-SE CONFORTÁVEL. LEMBROU TODO O EVENTO DA NOITE ANTERIOR, QUANDO JANTAVA EM UM NOVO RESTAURANTE DA CIDADE. OLHAVA IMPACIENTE O RELÓGIO, NÃO VENDO A HORA DE VOLTAR E BEIJAR SEUS PIMPOLHOS. MAS NÃO PASSARIA A NOITE A VER NAVIOS.

RICK FOI AO QUARTO DOS FILHOS. A BABÁ JÁ ESTAVA CUIDANDO DELES. ISSO FOI UM BALSAMO PARA O CORAÇÃO DO CANTOR. VER SUA IMAGEM E SEMELHANÇA REPRODUZIDA À SUA FRENTE, BRINCANDO NO BANHO COM PATINHOS DE BORRACHA, ESPARGINDO ÁGUA POR TODO LADO. TODA A DINHEIRAMA E A MÁ PUBLICIDADE VALERAM A PENA, CONSTATOU.


DESCEU PARA O CAFÉ. ALEJANDRO, INSTANTES ANTES DORMINDO, JÁ ESTÁ À MESA. A EMPREGADA SERVE O DESJEJUM. É UMA MULHER NEGRA, BONITA, COM ANCAS LARGAS, ACOMPANHA RICK DESDE O INICIO DA CARREIRA. ALEJANDRO A TOCA. A MULHER NÃO ESBOÇA REAÇÃO, COM O SEMBLANTE INALTERADO, TERMINA O SERVIÇO. RICK QUER FAZER UM ESCÂNDALO, MAS SE CONTÊM. PODE SER O QUE FOR, MAS NÃO É DESELEGANTE. DEPOIS DO CAFÉ, FORA DA MINHA CASA, DA MINHA VIDA E DA MINHA CAMA. ALEJANDRO CONSENTE, MAS QUER TOMAR UM BANHO E PEDE UM BLUSÃO QUE VIU NO CLOSET DE MARTIN COMO INDENIZAÇÃO PELA NOITE ANTERIOR. TUDO BEM, CONCORDA RICK. MAS SE APRESSE, TENHO UMA COLETIVA DAQUI A UMA HORA ]


de sonhos inquietos,

 

{ DEPOIS DE ALEJANDRO IR EMBORA, RICK TOMOU UM BANHO DEMORADO. LEMBROU-SE DOS SONHOS DA NOITE ANTERIOR, TINHA ATRAÇÃO POR DESVENDÁ-LOS. SUA COPEIRA TINHA INTERPRETAÇÕES LIGADAS AOS JOGOS DE AZAR. MAS UMA AMIGA, LIGADA EM COISAS TRANSCENDENTALISTAS, LEITORA DE FREUD, SEMPRE ACERTAVA. ELA, CARMENCITA, LEMBRAVA O DANIEL DA BÍBLIA, EMBORA OS SONHOS DE RICK NÃO TIVESSEM O MESMO TEOR. DESVENDAVA CADA UM DELES. CARMENCITA NÃO DESCUIDAVA. ANALISAVA-OS COM CAUTELA. QUANDO TINHA UMA CERTEZA, COMUNICAVA AO CANTOR QUE SE ESPANTAVA COM O SENTIDO QUE A AMIGA ENCONTRAVA E A COINCIDÊNCIA DE RESPOSTAS DE QUE PRECISAVA MARTIN NAQUELE MOMENTO.


ERA SEMPRE O MESMO SONHO. ELE ESTAVA NU EM UMA BOATE. HOMENS MASCARADOS DANÇAVAM FRENETICAMENTE, QUANDO A MÚSICA PÁRA. UM HOMEM MASCARADO DE LOBO ANUNCIA QUE ALI ESTÁ PRESENTE UMA AUTORIDADE E TODOS SE PREPARAM PARA SAUDÁ-LA. RICK FOI AGARRADO PELA MULTIDÃO, SEU CORPO ERA CONDUZIDO POR AQUELAS CENTENAS DE MÃOS. TATEADO, TOCADO, BOLINADO, EXAMINADO POR TODOS AQUELES COMO UM ÍDOLO, UM SANTO. QUANDO ESTAVA NO PALCO, O HOMEM COM CARA DE LOBO, INVESTIDO DE PODER SACERDOTAL, DESCEU ATÉ A GENITÁLIA DO CANTOR, COLHENDO COM A BOCA AS SEMENTES DAQUELE CORPO. ESPALHOU-AS POR TODO O SALÃO E CLONES GERMINAVAM. CADA UM DOS PARTICIPANTES TOMAVA PELAS MÃOS AS RÉPLICAS E DESPARECIAM.


ESTE SONHO PERTURBAVA RICK PORQUE NÃO PENETRAVA NO MISTÉRIO DE SEU SIGNIFICADO. TERIA ELE ALGUMA RELAÇÃO COM ALEJANDRO? OU SE REFERIA A CULPA COM QUE SE CASTIGAVA TODA VEZ QUE SE DETIA SOBRE SUA SEXUALIDADE ? CARMENCITA TRARIA AS RESPOSTAS. ERA SÓ TER PACIÊNCIA.}


viu-se metamorfoseado

 

# A IMPRENSA ESTAVA TODA REUNIDA PARA A COLETIVA. O EMPRESÁRIO TOMOU PARA SI A RESPONSABILIDADE DE ABRIR CAMINHO NAQUELE TRECHO DE SELVA FECHADA, SE DIZENDO FELIZ POR RICK ABRIR SEU CORAÇÃO AOS SEUS MILHARES DE FÃS E QUE AQUILO QUE DIRIA, MUDARIA O RUMO DAS COISAS, COLOCANDO A FELICIDADE MAIS PRÓXIMA DO CORAÇÃO DO CANTOR. RICK SEMPRE ACREDITOU QUE SEU EMPRESÁRIO FOSSE UM BOÇAL, NÃO ESPERAVA SENSIBILIDADE DA PARTE DELE. ERA UMA RELAÇÃO ESTRUTURADA NO PEGUE SEU DINHEIRO E CAÍA FORA. COMOVEU-SE. LEMBROU DO PRIMEIRO NAMORADO, DA DIFICULDADE QUE TINHAM PARA SE ACEITAREM E COMUNICAREM SEUS DESEJOS UM PARA O OUTRO. OS JORNALISTAS ESTAVAM INQUIETOS PARA SABER O MOTIVO DA COLETIVA. PODERIA SE TRATAR DOS FILHOS DO CANTOR, MAS ISTO RENDERIA MUITO POUCO. AS REVISTAS DE FOFOCA SE OCUPAVAM DISSO. TERIA QUE SER ALGO GRANDE, MUITO DIFERENTE, QUE FUGISSE DO OBVIO. TALVEZ RESULTASSE NUMA REVELAÇÃO SOBRE A SEXUALIDADE DO CANTOR. DESDE QUE ABANDONOU O GRUPO MUSICAL AO QUAL SE DEDICAVA NA JUVENTUDE, NÃO JUNTOU AO ASSUNTO NADA QUE PUDESSE ESCLARECÊ-LO, DETERMINANDO A VERDADE.#


num monstruoso

 

( AS FÃS CERCAVAM A CASA DE RICK. FURIOSAS COM A DECLARAÇÃO DADA AOS JORNALISTAS. RASGAVAM POSTERES, QUEBRAVAM OS ANTIGOS VINIS DO ARTISTA E DE SEU GRUPO MUSICAL DE ORIGEM. ATIRAVAM SACOS COM MERDA NAS JANELAS. UMA HOSTILIDADE QUE PENSOU QUE NÃO ENFRENTARIA. UMA RETALIAÇÃO POR TER TRAÍDO CENTENAS DE CORAÇÕES FEMININOS. MAS SUA PRÓPRIA FELICIDADE QUEM RESGUARDARIA? O NOTICIÁRIO NÃO PARAVA. O TELEFONE TOCAVA . JORNALISTAS ÁVIDOS POR UMA DECLARAÇÃO A RESPEITO DA DESORDEM QUE OCORRIA DIANTE DA RESIDÊNCIA DO CANTOR. A INTERVENÇÃO DA POLÍCIA DISSIPOU OS DESORDEIROS, MAS MARTIN ESTAVA COM OS NERVOS EM FRANGALHOS, SENTINDO-SE INFELIZ, COMO AQUELE PERSONAGEM DE KAFKA, TINHA MESMO A IMPRESSÃO DE QUE ERA UM )

 

inseto.

 

[  Mariel Reis  ]

 

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publicado por Interseção às 00:44

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5 comentários:
De Toninho Moura a 24 de Março de 2010 às 00:11
Olá para todos!
Acredito que todos os autores conseguiram uni imagem e texto proporcionando o prazer da leitura.
Show de bola!
Como digo sempre: longa vida ao Interseção!
Braços!
De Máximo a 25 de Março de 2010 às 15:59
Fala, amigos do Interseção.
Marcelão, parada dura essa oficina, hein? Fiquei apavorado...
Estou, mais uma vez, impressionado com o talento do grupo que desenvolveu textos interessantíssimos. Parabéns sobretudo para o Toninho e a Verônica, belíssima.
Um abraço e longa vida ao Interseção.
Máximo
De josilene a 29 de Março de 2010 às 22:15
"Arteiros", que espetáculos: palavras e imagens!
Como pude me privar desse Prazer por três edições...
Que doida!!!
Marcelo, amei tudo, mas a sintonia da imagem com o texto do Máximo (sobre a linda) ficou maravilhoso! Que olhos são aqueles? E as cores? Mil Beijosi a todos e PARABÉNS, INTERSEÇÃO!!!
De Interseção a 31 de Março de 2010 às 00:35
Minha querida Josi,

que prazer receber novamente um comentário seu! Estávamos sentindo falta de suas palavras sempre gentis e motivadoras. Sei que a nossa vida éuma correria e nem sempre dá tempo de pararmos um pouco.

Mas o importante é que continuamos contando com a sua boa vontade e amizade. Quem sabe um dia não teremos o prazer de ter a sua participação numa das edições.

Um beijo grande!
Marcelo
De Max a 14 de Abril de 2010 às 03:44
Josi, olá. Tudo bem?
Eu também quero agradecer as suas palavras carinhosas que tanto nos incentivam.
E quero fazer coro com o Marcelo para trazê-la para o grupo tanto como leitora quanto como escritora. Por favor, pegue o controle da tv, tem suco e cerveja na geladeira. A casa é sua.
Um beijo.

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