Sábado, 26 de Junho de 2010

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10ª edição – ano II – Junho / 2010

 

Olá, amigos! Sejam bem-vindos!

 

Como diz a canção do Djavan: "um dia frio / um bom lugar pra ler um livro..." vamos então aproveitar esse friozinho do inverno e colocar nossa leitura em dia. E por falar em leitura... nesta edição: novos textos, novas imagens e novas reflexões, que se não esquentam o nosso corpo como fogueira de São João, pelo menos aquecem nossa mente, espírito e coração.

 

Grande abraço!

 

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Lágrimas de Portugal

 

 

 

Saravá ao mago das palavras portuguesas.

Portugais saraivam nas palavras do mago

e levam o Saara das palavras a Lisboa,

ao Rio, a Estocolmo, às Canárias...

 

Saravá ao mago das palavras.

Magas palavras saram.

Palavras são mangas.

 

Saramangas palavras

salvam o mago,

saram o mago.

Saramago.

 

 

[    Marcelo Souza    ]

 

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Poesia dadaísta épica (Parte 1)

 

 

Eu sou eu e sou o outro. Sou também qualquer coisa entre. Sou a pedra fundamental, sou Pedro, fruto do ventre original. Sou o dadaísmo, o canibal. Sou o pilar de uma igreja. A que não prega Jesus é meu nome – e o teu.

 

Escrevo a esmo e caio cego sobre mim mesmo. Sou o novo Dédalus. Sou João, trabalho com pedras e dentro de mim guardo um segredo: um cão de dez cabeças. Não tenho a chave, o que tenho é medo. À tarde, a noite chega, mas ainda é cedo. Não vi Medusa, mas sou uma estátua. E dentro da estátua, uma estátua, e dentro da estátua, uma estátua cordial.

 

Sou o dadaísmo numa incompetente desorganização. Eu liberto o mundo dentro de mim, e dentro de mim há um monstro, e dentro do monstro, dorme um homem e um espelho. Eu sou surreal, meu nome é Fernando. Eu sou eu e sou os outros. "Monstro de escuridão e rutilância."

 

Salve Hércules. Salve Teseu. Meu pai é Parsifal e é um filho meu. Vocês são Aquiles, essa folha branca. Dadaísta que sou, também sou cego. Tateio meus olhos. Tenho toda a certeza, mas me nego. Meu coração é fiel e leviano. Eu sirvo aos gregos, eu brindo aos troianos. Eu sou eu e sou os outros.

 

“Diz a este monstro que eu fugi de casa.”

 

 

[    Máximo Heleno    ]

 

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A ela morta

 

 

 

Ela morta.

Impossível como o amor perdido.

Colho seus olhos.

São flores, mas não orquídeas.

Colho seus olhos vidros sem vida.

Hides me guiarão.

São cactos seus lábios roxos

São lábios mortos seus beijos

Me devoram.

 

Sua hora

é  a cópula

Agora ausente

 

Morta.

 

Essa lousa que fora

A carne amada de outrora.

 

 

[    Luiz França    ]

 

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Niterói me dói

 

 

 

Dói... muito me dói, Niterói.

ver cada rua tua, tão fina,

que como virgem vagina,

deflorada por carros se destrói.

 

Dói... muito me dói, Niterói.

Ver teu céu encolher a cada dia

na insana roda da engenharia,

a cada prédio que se constrói

 

Dói... muito me dói, Niterói.

Ver teus filhos largados à sorte,

caminhando lentamente para a morte

enquanto teu governo se corrói.

 

Dói... muito me dói, Niterói,

não ter mais aquela paz

de quando eu, apenas um rapaz,

te olhava com olhos de herói.

 

Dói... mas o que mais me dói, Niterói,

vendo-te assim tão triste, tão nua,

é que apesar de ainda ser tua

minha alma aos poucos se mói.

 

 

[    Marcelo Souza    ]

 

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publicado por Interseção às 14:12

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7 comentários:
De Ana Paula ( Mestrado UERJ) a 26 de Junho de 2010 às 17:13
Marcelo,
estou absolutamente impressionada com as suas poesias!
Brilhantes!
Parabéns
De Marcelo a 26 de Junho de 2010 às 19:57
Oi, Ana Paula!
Muito obrigado por seus elogios. Fico muito feliz por você ter visitado o blog e gostado dos trabalhos. Se quiser, esteja convidada para participar também. O espaço aqui do blog é democrático.
Grande abraço!
Marcelo
De Verônica Fortunato a 29 de Junho de 2010 às 12:11
Me deliciei ao ler todos os textos.
Obrigada cavalheiros!
Magnífico.
De Máximo a 30 de Junho de 2010 às 18:02
Verônica, quanto tempo!!??
Não vou agradecer pela visita, pois a casa é sua.
Estamos esperando seus textos. Manda pra gente.
Beijos.
Máximo
De Interseção a 2 de Julho de 2010 às 15:56
Olá, Verônica!
Sempre bom ter você com a gente.
Repito o convite do Max: estamos esperando seus próximos trabalhos.
Abração!
Marcelo
De Toninho Moura a 28 de Julho de 2010 às 01:16
Mais uma edição bonita na forma e no conteúdo. Parabéns a todos.
De Interseção a 29 de Julho de 2010 às 16:09
Valeu, Toninho!

É sempre muito bom contar com a sua força.
Em breve, faremos uma nova edição especial e vamos contar com a sua colaboração.

Grande abraço!
Marcelo

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