Sexta-feira, 3 de Setembro de 2010

...

12ª edição – ano II –  Setembro / 2010

 

 Olá, amigos! Bem-vindos!

 

Esta edição do nosso blog completa o ciclo de um ano. Durante este período estivemos aqui exercitando nossa liberdade de expressão e nossa vontade de compartilhar com vocês nossas reflexões e sentimentos. Além disso, propomos este espaço como um canal de trocas culturais com vocês leitores e com nossos colaboradores e amigos. Esperamos ter sempre a companhia de vocês por aqui, pois a nossa intenção é multiplicar cada vez mais esse tempo em que estamos on line.

 

E em nossa edição comemorativa tivemos a alegria de receber alguns presentes; entre eles o texto do nosso amigo Toninho “Capitão Ócio” Moura que fez (deixando o Amaury Jr. morrendo de inveja) a cobertura do maior evento do século: o aniversário do Interseção!

 

Um grande abraço a todos vocês e obrigado por estarem conosco!

 

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Noite do Prazer

 

 

Meu nome é Capitão Ócio.

 

E é como muito prazer que falo do tapete vermelho por onde passam os convidados da festa de um ano do blog Interseção.

 

Falo por mim e por todos os blogueiros da satisfação que sentimos por sermos brindados todos os meses com novas publicações cheias de talento e criatividade.

 

Os convidados estão chegando...

 

Aqui, nosso grande amigo, brasileiro maior entre os brasileiros, Carlos Drummond de Andrade. Parece que ele está mancando.

 

- Tudo bem Carlos Drummond?

 

- Mais ou menos rapaz...

 

- O quê aconteceu?

 

“Nunca me esquecerei desse acontecimento

na vida de minhas retinas tão fatigadas.

Nunca me esquecerei que no meio do caminho

tinha uma pedra

tinha uma pedra no meio do caminho

no meio do caminho tinha uma pedra”

 

- Uma das nossas belas Intersezetes está chegando... Por favor querida, acompanhe o Drummond. Com cuidado querida...

 

“Queria ter coragem

Para falar deste segredo

Queria poder declarar ao mundo

Este amor

Não me falta vontade

Não me falta desejo

Você é minha vontade

Meu maior desejo”

 

- Grande Drummond, não perde a viagem. Agora quem vejo entrando no tapete vermelho?

 

- Vinícius de Moraes, o poetinha.

 

- Saravá!

 

- Dê seu recado para os fãs do Interseção, que sentem tanto a sua falta.

 

“Chega de saudade, a realidade é que sem ela

Não há paz, não há beleza

É só tristeza e a melancolia

Que não sai de mim, não sai de mim, não sai”

 

- Mais uma Intersezete para levar nosso poetinha... Isso... Chame uma amiga para levar o copo de uísque.

 

- Lá vai nosso poetinha, muito bem acompanhado.

 

“É claro que a vida é boa

E a alegria, a única indizível emoção

É claro que te acho linda...”

 

- A festa vai ser boa! Escritores, poetas, artistas, todos querem comemorar um ano do Interseção.

 

- Agora, passando pelo tapete vermelho, cercado de jovenzinhos, ninguém menos que Oscar Wilde.

 

- Hello!

 

{tradução simultânea}

 

- Caro Oscar, qual a sua mensagem para a festa do Interseção?

 

“O público é muitíssimo tolerante. Ele perdoa tudo, menos o gênio.”

 

- Ele dispensa as Intersezetes e segue com seu séquito de garotos para a festa. Grande Oscar Wilde.

 

- Ôpa! Alguém esbarrou em mim... Cuidado meu senhor... É Jorge Luiz Borges. Uma prestativa Intersezete já o pega pela mão.

 

- Grande honra recebê-lo, Sr. Borges.

 

- O prazer é todo meu.

 

- Diga algo para os fãs do Interseção.

 

“A tarde bruscamente se aclarou,

porque já cai a chuva minuciosa.

Cai e caiu. A chuva é só uma coisa

que o passado por certo freqüentou.

Quem a escuta cair já recobrou

o tempo em que a fortuna venturosa

uma flor lhe mostrou chamada rosa

e a cor bizarra do que cor tomou.”

 

- Obrigado Sr. Borges, nossa assistente lhe levará até sua poltrona.

 

- Gracias.

 

- Agora temos a honra de receber no tapete vermelho os criadores do Interseção. Com vocês, Luiz França, Marcelo Souza e Máximo Heleno.

 

- Vamos lá rapazes, quais as expectativas para a festa?

 

Luiz: Diante de tão ilustres convidados, estamos sem palavras.

 

Marcelo: Sem palavras.

 

Máximo: ...

 

- Em nome dos blogueiros de língua portuguesa, quero agradecer-lhes pela perseverança e pelo carinho que dedicam ao blog. Muito obrigado.

 

Grupo Interseção (Luiz, Marcelo, Máximo): Muito obrigado, Capitão Ócio. E parabéns pela brilhante cobertura do evento.

 

 

- E lá vão eles com duas Intersezetes cada um... Espero que sobre alguma para mim.

 

- Parece que todos os convidados já chegaram... Temos um retardatário...

 

- Paulo Francis! Finalmente um motivo para trazê-lo ao Brasil...

 

- Wall.

 

- Passou batido.

 

{trim! trim! trim!}

 

- Meu celular. Com licença. Alô! Quem? Não! Já disse que o Paulo Coelho não foi convidado!

 

- Quantas Intersezetes sobraram? Vocês três?

 

- Meu lugar é na última fileira. Fica perto do bar. Vamos lá queridas, nos conhecer melhor.

 

- Divirta-se comemorando um ano de Interseção!

 

- Braços!

 

[  Toninho Moura  -  "Capitão Ócio"  ]

 

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Da natureza dos fios

 

 

Mesmo sozinhos, os fios,

confundem-se em si.

Em sua forma,

delgada,

longitudinal,

flexível,

ondulante,

contínua.

 

Refletindo eu, desconfio

de que é esta a minha natureza,

que se dá em voltas,

reviravoltas,

nós.

 

Equivocadamente confio

em minhas pálidas forças

de manter-me livre,

e sempre, sempre, sempre

retorço-me em minhas tramas.

 

Sempre um eterno desafio

ir de uma ponta à outra

sem rodeios,

volteios,

embaraçamentos...

 

E por breves momentos,

posso ver onde começa e termina

meu caminho,

cotidianamente por um fio.

 

[  Marcelo Souza  ]

 

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Educação pela pedra


 
A mãe chamava-lhe a atenção por conta da sua falta de consideração com o nosso esforço em proporcionar a ele e a todos de casa uma vida mais confortável.

 

- Mas, meu amor, nós não temos como comprar o novo supertênis do Enrolaldinho, nem dá pra comprar um lap top pra você este mês (e eu pensando: nem agora, nem nunca). Mas, as coisas vão melhorar e eu compro em 70 prestações... Espera um pouquinho, amor...

 

Não sei porque as mães de hoje têm esse medo de dizer “vai dar não, chefia”.

 
- Mas, mãe, todos os meus amigos têm (e eu penso: então, muda de amigos) e só eu que não consigo acessar à Internet na sala de aula... Eu fico parecendo o pobre coitado da escola... (e eu me pergunto: por que eu parei de beber??).


- Mas, Julinho, a vida é assim mesmo... Às vezes, a gente demora um pouco a ter as coisas, mas elas chegam pra gente também... tem paciência, meu filho...


- Ah, vocês... vocês... vocês não deviam ter tido filho se não podiam sustentar – f*&&¨¨ud*&&eu, tá falando comigo. Eu não pedi pra nascer... (Essa é a minha deixa).


- ALIÁS, FOI BOM VOCÊ TOCAR NO ASSUNTO – a mãe já está de olho arregalado e implorando pra eu parar. JÁ É A QUINTA VEZ QUE VOCÊ FALA ISSO PRA SUA MÃE. BEM, MEU FILHINHO, É O SEGUINTE: A CAMISINHA ESTOUROU...
 
(Silêncio)
 
- NÃO TÁ ENTENDENDO, NÃO? EU EXPLICO. EU E SUA MÃE NÃO QUERÍAMOS FILHO. A GENTE FOI FAZER A BRINCADEIRA, SE EMPOLGOU E VOCÊ TAÍ...

 

- A responsabilidade ainda é de vocês...


- NÉ NÃO. É DE DEUS. TEM QUE FALAR DIRETO COM ELE. NÓS ATÉ TENTAMOS TE ABORTAR (a mãe desmaiou), MAS VOCÊ TAVA MUITO A FIM DE VIVER...

 

Não precisa nem agradecer.

 


 
*   *   *

 

 

 

Essa é clássica. Tô cansado de ver filho explorando os pais e estes se comportarem como ‘tadinhos. Essa semana mesmo, uma professora disse que o filho casou e até a agrediu tentando fazer com que ela deixasse ele e a mulher morar na Zona Sul (eles moram em Madureira).


A cena é o seguinte: uma discussão sobre a autorização pra fazer aquele negócio dentro da minha casa.


Eu ‘tava deixando porque ainda não estou certo se quero a filha dos outros (e outra, e outra, e outra etc.) dormindo com o meu filho dentro da minha casa, nem se quero a minha filha com um marmanjo (e com outro, e com outro, e outro etc.) dando altas cambalhotas durante os momentos felizes.

 

Eu sei que é careta, que, hoje em dia, os pais inclusive incentivam, que alguns, os superavançados, oferecem a camisinha, a cerveja e, o suprassumo, o cigarro pra depois. Desculpa, mundo fashion da capital, mas “eu sou assim, meio atrasadão, conservador, reacionário e caretão”. Sei também que os velhacos incentivam aos seus machos a sair mandando ver na filha dos outros, que o importante é fazer número, mas, COMIGO NÃO, LAMPIÃO! Eu sou um cara moderno, antenado com as conquistas femininas etc.

 

Mas aí, eu ia dizendo, o marmanjão vira pra mãe e fala.


- Mas essa aqui é a minha casa. – me chamou na conversa.

 

- OPS, OPS, EPA!!! PERALÁ!! VAMOS ORGANIZAR A COISA AQUI. ESSA CASA É SUA, MAS POR TEMPORADA. VOCÊ É SÓCIO BENEFICENTE. JÁ EU E SUA MÃE SOMOS SÓCIOS PROPRIETÁRIOS. OLHA LÁ!! NÃO VAI CONFUNDINDO, NÃO...


- Ei!!! Essa aqui é a minha herança!!!


- SUA HERANÇA JÁ TÁ TODA COM VOCÊ. EU JÁ DEI O QUE VOCÊ PRECISAVA PRA VIVER ASSIM QUE VOCÊ NASCEU COM AS DUAS PERNAS, OS DOIS BRAÇOS E UMA LÍNGUA GRANDE!!! MAS PRA NÃO DIZER QUE SOU RUIM, PODE LEVAR AS ROUPAS, OS LIVROS E TUDO QUE ESTÁ NO SEU QUARTO.


- Mas quando vocês morrerem, o carro, a casa...


- QUEM DISSE QUE NÓS VAMOS MORRER?? VOCÊ ESTÁ MUITO ENGANADO!! NÓS VAMOS FICAR AQUI PRA SEMPRE!! E, SE, POR ACASO, FIZERMOS A BOBAGEM DE MORRER, TUDO QUE EU TENHO VAI PARA O TELETON, PARA O CRIANÇA ESPERANÇA, VAI PARA A UNESCO, PARA A FAMÍLIA GAROTINHO...


- Mas...


- CORRE ATRÁS.

 

Olhei pra mãe e...


- Não precisa nem agradecer

 

[  Máximo Heleno  ]

 

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Poema

 

 

Era tão bela a pitonisa

Que me fazia só

Que me sabia em não.

 

Era deusa e planeta.

 

Me fazia editar poemas

Me fazia calcular anagramas

 

Muito por debaixo da carne

Muito para dentro do pôr.

 

A menina tinha seus caprichos.

Era de atormentar o poeta

Em seu menor refúgio.

Quanto de seus olhos em mim

Rastreavam em busca,

Quanto de suas carícias

Afinal impossíveis,

Não maduraram à fronte,

Como uma carta que morre comigo?

 

Era tão bela a pitonisa

Me fazia entender os poemas,

Me fazia poupar de anagramas.

 

Algo em algo

Em circunlóquio

Parafuso.

 

[  Luiz França  ]

 

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En'Canta Noel

Confira trechos e comentários sobre o espetáculo teatral idealizado por Catarina Maul

 

 

E não perca o programa BEM CULTURAL

TV Vila Imperial (Petrópolis) - canal 19

Todas as sextas-feiras às 15h

Contato: catarinamaul@bemcultural.com

 

Reprises:

> sexta-feira às 23h

> sábado às 12h

> domingo às 10h

> terça-feira às 23h

 

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publicado por Interseção às 01:35

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6 comentários:
De Karla Carvalho a 3 de Setembro de 2010 às 03:09
parabens, meninos, sei que estou repetindo, mas voces merecem parabens, parabens e mais... nós é quem fomos presenteados!!
De Interseção a 3 de Setembro de 2010 às 03:56
Muito obrigado, minha querida amiga!

O maior presente que poderíamos ganhar é termos vocês (os amigos) sempre junto de nós.

Beijo grande!
Marcelo
De Toninho Moura a 4 de Setembro de 2010 às 01:30
Pois é! A cada ano que passa o blog fica melhor.
Parabéns a todos. Tomando emprestado as palavras do Capitão Ócio, obrigado.
De Interseção a 4 de Setembro de 2010 às 03:57
Valeu, Toninho!

Esperamos que continue conosco por muitos anos mais. Brigadão!

Grande abraço!
Marcelo
De Catarina Maul a 4 de Setembro de 2010 às 11:46
Parabéns!
Todo aniversário feito em projetos culturais, tem grandeza maior ainda, pois sabemos o quando a palavra "continuidade" é antônima de cultura.
Acompanho e espero ansiosa o Interseção de cada mês, onde posso me deslumbrar com pensamentos, poesia, arte e bom gosto.
Vida longa! Vida eterna!
De Interseção a 6 de Setembro de 2010 às 21:51
Catarina, minha mais nova e querida amiga!

Muito obrigado por suas palavras gentis e motivadoras. Você, mais do que ninguém, sabe da luta que é trabalharmos com arte e cultura nessa nossa terra. Portanto, mais uma vez obrigado pela força, pois precisamos sempre dos amigos por perto. E conte sempre conosco como aliados do Bem Cultural

Beijo grande!
Marcelo

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