Quinta-feira, 25 de Novembro de 2010

...

14ª edição - ano II - Novembro de 2010

 

Olá, amigos! Bem-vindos!

 

Diante dos recentes acontecimentos em nosso estado, o sentimento que temos não pode ser diferente de uma profunda tristeza. Estamos vendo agora o resultado catastrófico de décadas de abandono das comunidades mais pobres, esquecidas completamente pelos governantes e pelas elites, que só enxergam essas comunidades como reservatório de votos e de mão-de-obra barata e descartável.

 

O que fazer agora para deter esse maremoto de ódio e violência? As ações policiais, com seus tanques e helicópteros, nos confortam momentaneamente. Mas sabemos que nada disso resolverá de fato o problema, pois a solução só se dará por meio de ações sociais, políticas e educacionais sérias. Mas infelizmente os políticos não estão interessados nisso, pois a solução real dá mais trabalho e menos visibilidade. Ou seja: menos voto.

 

E depois do BOPE, da Marinha e da Guarda Nacional, a quem recorreremos? É, amigos... é melhor começarmos a rezar.

 

Um forte abraço a todos! E que Deus nos ajude.

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Variações sobre um feliz aniversário

 

 

 

Daqui, eu faço contas tortas em linhas cegas. Vou lapidando as palavras e construindo quebra-

cabeças. Eu ouço. E ouço cada vez menos.

Oro. A incomunicação polifônica que nos dá a riqueza das possibilidades – em poesia – e do

silêncio – em verdade. Amém.

 

Daqui, com olhos de horror toco o fruto colhido antes da hora. Sem sentido. Encontrar a boca

ainda verde, verde. Sem maturar, apodrecendo.

A dor dos olhos é insuportável e clama uma realidade dopada. A vida implora por arte pra

sobreviver.

Oro. A irrazão polifônica de tudo o que não tiver sentido me adocica – em poesia - e me adoece –

em verdade. Amém.

 

Eu tenho pressa, meu amigo. Ainda tenho fome. Aliás, a cada dia, eu tenho mais fome.

As minhas mãos perdem a sensibilidade enquanto a pele vai anoitecendo...

Eu tenho frio, meu caro. Aliás, cada vez mais eu tenho frio. Posso sentir frio em meio às multidões.

Posso sentir frio entre gargalhadas.

Tenho a boca seca. Os olhos secos. A mão esquecida.

 

Daqui, vejo um esboço cinza. Vermelho. Eu rabisco e desconstruo uma imagem babélica. A cidade

e os seres são de ferro e isso é patético. De um obelisco ao nada se faz uma festa. No horizonte,

um sol se põe.

Oro. Seja eterno o carnaval que salva – em poesia – as almas perdidas.

 

Amém.

 

[  Máximo Heleno  ]

__________________________________________________________________________________

 

 

Oração

 

 

Trago-te aqui minhas misérias.

Minhas dores,

angústias e tormentas.

 

Minha alegria e esperança.

Meus problemas.

Meus nós.

 

Meus talentos,

meus frutos...

ofereço-te tudo.

 

Tudo que é meu e tenho (e na verdade não tenho)

coloco diante de ti

e já não espero.

Apenas quero

paz.

 

A mesma que suponho ter as nuvens brancas de um dia tranqüilo

A mesma que suponho ter as estrelas viajantes.

A mesma dos resignados.

 

Dos desapegados.

Dos inocentes.

Dos perdoados.

Dos saciados.

Dos abençoados.

Dos absolvidos.

 

Aqui estou numa igreja onde nunca estive

e dizem que posso fazer três pedidos.

Será que posso enganar o gênio,

se a cada pedido eu pedir mais três?

 

Não. Nem quero.

 

Se três pedidos tivesse

apenas um eu faria:

paz

paz

paz

 

[  Marcelo Souza  ]

_______________________________________________________________________________

 

 

Poema

 

 

Tua vulva, vaga forma de afogamento.

Tua língua de vulgar dizer milimétrico.

 

Branca,

 

Meu livro de pele e amor

Sem outro exemplar e cais.

 

[  Luiz França  ]

________________________________________________________________________

 

publicado por Interseção às 20:03

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4 comentários:
De Karla Carvalho a 26 de Novembro de 2010 às 00:40
Concordo que estamos num beco sem saida, parecendo ratos. Enquanto os “gatos” se divertem. Mas não devemos desistir. É difícil vermos um mundo melhor, “mas não sou a única”. Certo? São pessoas como vocês que plantam essas sementes bjs.
De Interseção a 27 de Novembro de 2010 às 03:45
Olá, minha amiga!

Pois é, tem vezes em que fica difícil acreditarmos que as coisas vão melhorar. Mas você tem razão: "não devemos desistir".
Obrigado pela força de sempre.

Abração!
Marcelo
De Ana Aparecida a 26 de Novembro de 2010 às 02:45
Marcelo! Adorei!!
Obrigada pela oportunidade de participar deste espaço!
Beijinhos
De Interseção a 27 de Novembro de 2010 às 03:37
Oi, Aninha!

O espaço também é seu. É nosso.
Espero poder contar novamente com a sua brilhante e generosa colaboração.

Grande abraço!
Marcelo

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