Segunda-feira, 28 de Fevereiro de 2011

...

17ª edição - ano III - Fevereiro de 2011

 

Olá, amigos! Bem-vindos!

 

Nas vésperas das festividades do carnaval, aqui estamos, também nós, trazendo nossa folia, que nada tem de esfuziante ou galhofeira. Pelo contrário! Ela pretende-se sileciosa, ácida e, por que não, amorosa; para melhor poder falar à alma e ao coração, e para melhor agulhar a nossa consciência.

  

Um forte abraço!

  

_________________________________________________________________________________

  

Silence   -  [  Texto e Arte - Marcelo Souza  ]

 

Silence 01

 

Silence 02

  

Silence 03

 

Silence 04

 

Silence 05

 

________________________________________________________________________________

 

 

Pequenas estórias sem moral

 

Tomadas de decisaoassinatura.jpg

 

O senhor juiz Alcides de Oliveira, embora não responda a perguntas óbvias, gaba-se alto de ter uma piscina de dezoito mil litros e enchê-la apenas com água mineral, trazida diretamente de Lindóia. Seu neto, Alcides de Oliveira Neto, na época de sua inocência dizia que era a menina dos ovos de ouro do avô.

 

Durante as festas, o jovem Alcides Filho reunia os amigos da faculdade para brindar, com as bebidas importadas do pai, à beleza da vida em Itacoatiara e batizavam, rebeldemente, o espelho imaculado da piscina.

 

 

 

*    *    *

 

 

Seu Jair é apaixonado por arte. Aluga os ouvidos dos filhos e netos, sem o consentimento, é verdade, durante horas onde narra a loucura de um Van Gogh, a suavidade de um Renoir e a tragédia do Guernica de Picasso.

 

Diz que essa obra custa milhões, sempre milhões e se perde na contemplação da reprodução barata instalada na parede de sua casa, no alto do Cantagalo. As contorções do estilo de Picasso se encaixavam perfeitamente a um cenário de GUERRA. Ele divaga sobre como tal obra comoveu o mundo e tocou os corações.

 

Depois, pergunta à plateia inconsciente.

 

- Entenderam?!

 

E, cheias de olhos perdidos e ignorantes da mágica, as cabeças aquiescem.

 

 

 

*    *    *

 

 

Adélia trabalhou muito. De Itaboraí, de dentro de Itaboraí, diga-se bem, até a casa da madame no Leblon, eram quase cinco horas, às vezes. Quase sempre, eram três e meia. Ida e volta. Todo dia. Durante mais de dez anos.

 

Tem um acordo entre o patrão e o empregado. Um acordo bom para os dois. Um acordo justo. Um bom acordo mesmo.

 

Com a sua parte da justiça, Adélia comprou uma tevê de plasma. Tem HD e, quando ela tiver, dá até pra conectar o aparelho de som e o computador. Demorou um pouco pra instalar, pois precisou que um vizinho viesse resolver uns problemas, mas o som ficou bem alto e artistas ficaram mais feios.

 

Aos domingos – sempre nos domingos de sua folga –, ela senta e assisti ao Faustão.

 

 

 

*    *    *

 

 

 

Meriene não pôde estudar – e, na verdade, não sabe bem pra que serve o estudo. Seu mundo é muito simples. Sua cabeça também. E, acima de tudo, está Deus.

 

Mas os filhos de seu patrão estudam e estudam em um colégio muito bom. Dizem que a mensalidade de cada um deles dá uns três salários dela. E ela sabe que um já vai até ser doutor de faculdade. E o garoto só tem dezesseis anos.

 

Ela não entende, mas sabe que, no fundo, tem Deus.

 

Ela, então, sabe que é importante que o filho saiba que estudar é importante. E matricula-o numa escola particular. Uma bem boa, mas mais mais ou menos, claro. É só metade do salário. Sem milagre, claro! Mas com Deus. Um pouco...

 

Meriene só aparece em casa no sábado à noite, com o domingo todo pra si e o filho, Uóchitom, está sempre bronzeado e com os cadernos intactos.

 

Há Deus.

 

 

 

*    *    *

 

 

Fulano é um humorista – você sabe, né?, aqueles caras que fazem graça na televisão e muitos cativam os corações e, sobretudo, os corações infantis.

 

Cássio e Plínio souberam que a celebridade engraçada estava naquele hotel. Eles gostam do humorista. Você sabe, né?, os adultos são tolos, os infantis então...

 

Eles pediram à recepcionista para avisá-los quando o famoso tivesse no saguão. Ela, comovida com o amor puro, concorda.

 

O elevador abre e eles descem. Procuram rapidamente. Lá está ele. Lá está ele. Tem uma mulher com ele. Tem uma criança com ele. Ele deve estar falando alguma piada. Eles vão até o homem. Fazem barulho, sorriem, pulam. Exageram.

 

O ser reclama com o gerente do hotel...

 

 

[  Max Heleno  ]

_________________________________________________________________________________

 

  

Amo-te, e melhor, te amo...

 

passeio_em_santa_teresaassinatura.jpg 

 

Amo-te, e melhor, te amo,

Como só a palavra brasileira possa expressar.

Te amo sem a melhor das intenções

Com o mais pequeno coração

E a menor das esperanças.

 

Amo-te porque assim o diz

Esse modo mais errado de amor

Ainda que te amar seja o maior

Dos erros de português.

 

[  Luiz França  ]

 

_________________________________________________________________________________

 

 

publicado por Interseção às 22:14

link do post | comentar | favorito
6 comentários:
De karla carvalho a 10 de Março de 2011 às 02:29
o silencio é importante quando se fala de amor e nem sempre essa historia tem uma moral. adorei meninos, como sempre espetacular. Desculpe a demora. bjs
De Interseção a 10 de Março de 2011 às 19:35
Olá, minha querida amiga!

Muito obrigado pela sua constante presença aqui no nosso blog e pela grande generosidade com a qual está sempre nos apoiando.

Um beijo grande e fica com Deus!
Marcelo
De josilene a 14 de Março de 2011 às 02:54
Olá, artistas!
Mais uma vez Parabéns ao grupo.
O trabalho está demais. E esse colorido do Marcelo é mesmo encantador. Beijosi!!!!
De Interseção a 15 de Março de 2011 às 01:22
Olá, minha querida amiga!

É sempre um prazer ter a sua companhia e os seus comentários aqui no nosso humilde blog. Isso só nos motiva a seguirmos adiante.

Um beijo grande!
Marcelo
De Toninho Moura a 15 de Março de 2011 às 01:18
Amo o silêncio que ouço quando estou dentro da água.
De Interseção a 18 de Março de 2011 às 04:40
Obrigado, Toninho, pela força de sempre!

Eu também amo o silêncio, em diversas ocasiões da vida. Aliás, fica a pergunta: "por que as pessoas fazem tanto barulho?" rs.

Um forte abraço!
Marcelo

Comentar post

visitantes

Contador de visitas

Quem somos

a gênese(1)

luiz frança(1)

marcelo souza(1)

máximo heleno(1)

todas as tags

Edições anteriores

Dezembro 2011

Setembro 2011

Julho 2011

Junho 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009