Quarta-feira, 23 de Março de 2011

...

18ª edição - ano III - Março de 2011

 

Olá, amigos! Bem-vindos!

 

Aqui estamos nós mais uma vez, lançando nosso olhar poético sobre o tempo e o espaço.

E também sobre os pequenos e grandes acontecimentos que nos envolvem no cotidiano,

e que nos fazem sentir, apesar de tudo, que ainda estamos vivos.

  

Um forte abraço!

 

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As idades

 

guarda chuva vermelhoassinatura.jpg

 

Envelhecer é estranho.

Vemos as paisagens mudando

e sabemos como as coisas eram antes de ser como são.

 

É lembrar-se de tudo e, ainda assim, estar vivo,

criando novas lembranças.

 

Envelhecer é viver simultaneamente em dois mundos:

no presente perceptível

e no passado, ainda muito presente.

 

O passado não passa.

Fica grudado na parede da memória

como um quadro do Belchior,

empoeirando-se no hoje,

que já é ontem a cada instante,

e é agora o tempo todo.

 

Enquanto envelheço, continuo sendo eu mesmo

o que sempre fui: um menino errante

à procura de um lugar que não está lá.

 

Um lugar onde o tempo pudesse parar.

E fosse possível se consertar o que é ruim

e se congelar o todo de bom que há.

 

[  Marcelo Souza  ]

 

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O quarto

 

psicodramaassinatura.jpg

 

Cercado de paredes, janelas e porta

Desviado do murmúrio da rua

Observo minha figura torta

Salientar minhalma nua

 

Convivo com o violento medo da violência

Da massa amálgama de vários elementos

Que vagam, transeuntes, com o vento

Na fugaz cadência da decadência.

 

Os abismos se chocam e se completam

No desencontro das emoções humanas

Na recusa das paixões levianas.

 

Sobrevive o eco do cerne visceral

A sombra do imenso sonho original

De onde todas as forças rebentam.

 

[  Max Heleno  ]

 

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Telejornal  - [  Texto - Max Heleno  /  Arte - Marcelo Souza  ]

 

Telejornal

 

 

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Poema

 

flutuacoesassinatura.jpg

 

A vida não é bela.

 

O poeta retarda sem exemplo

O infinitesimal detalhe:

Desvencilha-se.

 

Proust está morto.

E as novidades práticas de Godard destrinçadas.

Alcança-se uma segunda, ou terceira, ordem de cenas.

 

Walter Benjamim citado. Cansado. Bom.

 

Não há retoques a indagar

Ou ventos de liberação.

A estética incômoda, incomoda como quadro

E sua legenda, legitimidade, retórica.

Onde a árvore é apenas a árvore sem estanque?

Eu quero a pedra que é uma pedra.

 

Resta a busca pelo simples alucinógeno.

 

Estou cansado da:

Uma virgula maior, onde um ponto.

A referência bulkowiskiana onde só a inferência crua.

A tal pedra, que eu queria.

 

Esse quadro mal pintado

Em que a legenda topicaliza

Um nada enquanto arte.

 

Eu quero uma pedra que me sociabilize.

 

[  Luiz França  ]

 

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Velozmente

 

trem bala 2 bordaassinatura.jpg

 

Nos trilhos da estação, já é outono.

E um tiro me atravessa o peito:

o trem-bala!

 

[  Marcelo Souza  ]

 

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publicado por Interseção às 00:47

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6 comentários:
De Máximo a 24 de Março de 2011 às 16:15
Olá, meus amigos.

Marcelo, não vou ficar nos elogiando aqui, mas, entretanto, porém, o seu diálogo com o meu soneto ampliou significativamente o poema.

Obrigado. Tamujunto.
De Interseção a 25 de Março de 2011 às 02:57
Valeu, meu amigo!

O objetivo é esse mesmo: dialogar sempre para que o nosso trabalho amadureça e,por que não, nos emocione também.

Grande abraço, meu irmão!
Marcelo
De josilene a 26 de Março de 2011 às 21:18
Galera,
Fran(ç)amente, vocês são o M Máximo!!
Beijosi!!!
De Interseção a 29 de Março de 2011 às 03:01
Minha amiga!

Muito obrigado pelo comentário super criativo! rs.
Muito boa mesmo a sua sacada!

Beijo grande!
Marcelo
De Maximo Heleno a 1 de Abril de 2011 às 01:45
Josilene, obrigado pelo carinho e pela constância.

Gostamos da brincadeira. rs

Bj.
De Anónimo a 25 de Abril de 2011 às 00:50
Marcelo, adorei o que escreveu sobre "as idades" e providencial para o mês de março, que é seu mês. Não é mesmo?! Enfim, muito bom mesmo, não querendo ser puxa saco. O comentário tardio se dá em função de . . . vc sabe. Bjs, Glau.

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